Dra Juliana Mendonça

Outubro Rosa: como prevenir o câncer de mama e cuidar da sua saúde?

Por Dra Juliana Mendonça

19 de outubro de 2026

Mais do que uma campanha de conscientização, o Outubro Rosa é um convite para olhar com mais atenção para a própria saúde. Ao longo do mês, o tema ganha destaque para reforçar a importância da prevenção, do diagnóstico precoce e do acompanhamento médico no combate ao câncer de mama. 

O câncer de mama é o tipo de câncer mais incidente entre as mulheres brasileiras, desconsiderando os tumores de pele não melanoma. Embora não seja possível evitar todos os casos, algumas mudanças de hábitos e o acompanhamento adequado podem contribuir para reduzir os riscos e favorecer a identificação precoce da doença. 

Mas, afinal, o que cada mulher pode fazer para cuidar melhor da saúde das mamas? Como ginecologista, considero fundamental que essas informações façam parte do cuidado durante todo o ano, e não apenas em outubro. 

O que é o Outubro Rosa e por que essa campanha é importante? 

O Outubro Rosa é uma campanha internacional de conscientização sobre o câncer de mama. Seu objetivo é ampliar o acesso à informação, incentivar o cuidado preventivo e reforçar a importância de reconhecer possíveis sinais da doença. 

Um dos principais desafios é compreender que o câncer de mama pode se desenvolver sem apresentar sintomas perceptíveis nas fases iniciais. Por isso, não sentir dor ou não perceber alterações nas mamas não significa, necessariamente, que está tudo bem. 

A campanha também ajuda a combater o medo e a desinformação que ainda afastam muitas mulheres dos serviços de saúde. Quanto mais informação de qualidade, maiores as oportunidades de buscar orientação, realizar os exames indicados e receber atendimento no momento adequado. 

Quais são as principais formas de prevenir o câncer de mama? 

A prevenção envolve diferentes cuidados. Embora nenhum deles garanta proteção absoluta, algumas atitudes podem contribuir para reduzir o risco de desenvolver a doença. 

  1. Mantenha hábitos de vida saudáveis

A rotina influencia a saúde de diversas maneiras, inclusive no risco de câncer de mama. Praticar atividade física regularmente, manter um peso corporal adequado e adotar uma alimentação equilibrada são medidas importantes. 

Também é recomendado evitar o consumo de bebidas alcoólicas, já que o álcool está associado ao aumento do risco da doença. Essas atitudes contribuem para a saúde geral e fazem parte das estratégias de prevenção do câncer. 

  1. Conheça seu corpo e observe mudanças nas mamas 

Conhecer a aparência e as características habituais das próprias mamas ajuda a perceber alterações que merecem atenção. 

Entre os sinais que devem ser avaliados por um profissional de saúde estão: 

  • Nódulo ou endurecimento na mama ou na região da axila. 
  • Alterações na pele, como retrações, espessamento ou aspecto semelhante à casca de laranja. 
  • Mudanças recentes no formato ou no tamanho de uma das mamas.
  • Alterações no mamilo, como retração recente. 
  • Saída espontânea de secreção pelo mamilo, especialmente se for sanguinolenta. 

Esses sinais não significam necessariamente câncer, mas precisam ser investigados. Ao perceber uma mudança suspeita, procure avaliação médica sem esperar pela próxima consulta de rotina. 

É importante lembrar que o autoexame não substitui os exames de rastreamento. Mais do que seguir uma técnica específica, a orientação atual é conhecer as próprias mamas e estar atenta às mudanças. 

  1. Mantenha as consultas e os exames em dia 

O acompanhamento médico permite avaliar o histórico de saúde, identificar fatores de risco e definir quais cuidados são indicados para cada mulher. 

A mamografia é um dos principais exames utilizados no rastreamento do câncer de mama e pode identificar alterações antes mesmo do aparecimento de sintomas. A idade para começar, a frequência e a necessidade de outros exames devem considerar as recomendações vigentes e as características individuais de cada paciente. 

Mulheres com histórico familiar importante ou suspeita de predisposição hereditária podem precisar de uma estratégia de acompanhamento diferenciada. 

Por isso, não existe uma única orientação que se aplique a todas. A avaliação individualizada é fundamental para definir o melhor caminho. 

  1. Conheça seu histórico familiar

Ter familiares que tiveram câncer de mama, especialmente em idade jovem, ou casos de câncer de ovário na família pode indicar a necessidade de uma avaliação mais detalhada do risco hereditário. 

Algumas alterações genéticas, como as que envolvem os genes BRCA1 e BRCA2, estão associadas a um risco aumentado para determinados tipos de câncer. 

Isso não significa que toda mulher com histórico familiar desenvolverá a doença, nem que mulheres sem casos na família estejam livres de risco. Compartilhar essas informações durante a consulta ajuda o médico a avaliar se há necessidade de acompanhamento específico ou aconselhamento genético. 

Outubro Rosa: o cuidado precisa continuar durante todo o ano 

Essa é uma oportunidade de reforçar uma mensagem essencial: cuidar da saúde das mamas não deve ser uma preocupação restrita a um único mês. 

Adotar hábitos saudáveis, conhecer o próprio corpo, conversar sobre o histórico familiar e manter o acompanhamento médico são atitudes que fazem parte desse compromisso contínuo. 

E lembre-se: perceber uma alteração não significa necessariamente receber um diagnóstico de câncer, mas é um motivo para procurar avaliação. Da mesma forma, não apresentar sintomas não elimina a importância do rastreamento quando ele é indicado. 

Neste Outubro Rosa, transforme a informação em cuidado.Sua saúde merece atenção durante todo o ano.